Quitting (Zuotian, título original), filme chinês de 2001, do diretor Zhang Yang, pode ser definido como 112 minutos de agonia. Esse sentimento aumenta ainda mais ao saber que o filme é baseado em uma história real e irrompe quando os créditos jogam na tela que os atores interpretando os protagonistas são as pessoas que viveram esses fatos.

Jia Hongsheng era um dos mais promissores atores chineses do início da década de 1990. Mas o sucesso, o medo, a dúvida, o seu nível de exigência, fizeram-no trilhar um caminho de autodestruição. Entre 1992 e 1997, Jia lutou contra o vício em drogas, como a heroína, e álcool.

Seus pais se mudaram do interior da China para Beijing a fim de dar apoio ao filho. A irmã de Jia já tinha passado a morar com ele. Os anos seguintes a esse são de muita dor para todos os envolvidos. Agonia é o sentimento que resume o que Jia sente ao parecer tão só e sem forças de enfrentar seus próprios medos. Agonia é o sentimento dos pais de Jia, que padecem a cada momento junto ao filho, vendo o seu desespero.

Colocar essa história na tela, e Jia, seus pais e sua irmã interpretarem momentos que os marcaram profundamente, deve ter servido para exorcizar os demônios dos dias em que o amanhã nunca chegava. Mas a verdadeira agonia está fora do filme. Mesmo após o filme ser aclamado nos festivais de Veneza, Sundance e Toronto, Jia Hongsheng não prosseguiu na carreira de ator. Em 5 de julho de 2010, ele pulou de um prédio para a morte.

Chinese Actor Jia Hongsheng Found Dead from Fall

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