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Nos braços de Morfeu

Fazia tempo que eu não dormia tão bem. Eu estava tão cansado nestas últimas semanas. Mais cansado a cada dia. Mas me parece que esta noite de sono foi um bálsamo para o meu corpo combalido. É tão bom poder acordar com o gorjear dos passarinhos. Será que ainda é cedo ou já é tarde? Não consigo me lembrar o que tenho para fazer hoje. Continuar lendo “Nos braços de Morfeu”

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Bálsamo antônimo

Pedro é um pacato funcionário público – mesmo que isso pareça uma redundância – que vive monótona-rotineiramente um dia de repetição e cartas marcadas – e há novidades diárias na vida de um funcionário público? Continuar lendo “Bálsamo antônimo”

Amarelo intermitente

Amarelo. Odiosa cor amarela. Amarelo quimérico. Áureo alucinante. Espectro lascivo. Cor etérea e fugaz. Amarelo efêmero, devaneador, divagador. Cor horas evasiva, horas invasiva. Maracujálico opressivo. Jugo asfixiante. Odeio o amarelo. Continuar lendo “Amarelo intermitente”

Pá de cal

O local é sombrio, frio, sem cores e cortado por um silêncio que ecoa de forma retumbante. Já não penso mais em nada. Cansei de pensar, cansei de entender, cansei de ser o que sou e tentar ser o que eu queria ser. Já não me escutam mais, já não me leem mais, já não dão bola para o que eu penso, para a análise que faço das coisas. Resumindo: fiquei obsoleto, sou o resto de um pedaço quebrado que um dia teve uma função. Eu mesmo não espero mais nada de mim. Mas ainda estou aqui. Estou aqui para lamentar o fim. Estou aqui para imaginar como poderia ter sido e para lamentar como está prestes a terminar. Continuar lendo “Pá de cal”

Figura pitoresca

Eu nunca fui de acreditar nessas bobagens, mas pensei que, em um momento como o que estou passando, qualquer palavra poderia me ajudar a encontrar uma ideia de como prosseguir. Dei uma risada desconfiada soltando o ar pelo nariz. Estou parado em frente à porta e antes de entrar fiquei ansioso? Que coisa sem sentido. Se não acredito nisso, não tem nem porque criar qualquer tipo de expectativa. Dou o primeiro passo, coloco a mão direita na maçaneta, giro-a, abro a porta e entro. Continuar lendo “Figura pitoresca”

O melhor é não lembrar que não se lembra?

Não há nada que me faça sentir mais em paz que olhar pela janela. O longo gramado verde parece um tapete aconchegante que convida a um confortável passeio com os pés descalços. A pele da sola do pé a tocar a grama é como uma injeção revigorante da mãe-natureza. Pequenos arbustos que povoam o jardim parecem algodões doces. Minha vontade é me jogar neles como se fossem nuvens e rolar pelo chão como se aquelas espessas e fofas nuvens mais alvas que o mais branco estivessem a me abraçar. Há algumas árvores, em quantidade menor que os arbustos. Todas fortes, robustas, com grandes galhos, que mostram toda sua força ao se estender e se esticar como se fossem garotos nas pontas dos pés tentando alcançar a fruta mais deliciosa do pomar. Nessas árvores os passarinhos cantam como se a felicidade suprema estivesse reinando dentro deles. O gorjeio das aves é como uma serenata de gratidão à vida revigorada que o jardim lhes dá. Continuar lendo “O melhor é não lembrar que não se lembra?”

O banco e o braço a torcer

Eu estava embalado no leve balançar do ônibus. O barulho do motor, que antes era um estranho ao céu azul e à leve brisa tépida, agora se fundia sorrateiramente à paisagem e enganava até a mente, como se o silêncio da leitura não fosse silêncio sem aquele barulho. As páginas brancas do livro, que ganhavam um leve tom do espectro solar, eram as emissárias dos tipos que alegravam os meus olhos. Uma letra após a outra, uma palavra após a outra, uma frase após a outra e uma história que brotava na mente. Uma página após a outra e a história ganhava um galopar cada vez mais rápido, com novas e novas conexões que já tentavam antever o que estava por acontecer nas próximas páginas. Continuar lendo “O banco e o braço a torcer”

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