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Mundo Naressi

Uma visão, muitos mundos

Nos braços de Morfeu

Fazia tempo que eu não dormia tão bem. Eu estava tão cansado nestas últimas semanas. Mais cansado a cada dia. Mas me parece que esta noite de sono foi um bálsamo para o meu corpo combalido. É tão bom poder acordar com o gorjear dos passarinhos. Será que ainda é cedo ou já é tarde? Não consigo me lembrar o que tenho para fazer hoje. Continuar lendo “Nos braços de Morfeu”

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Bálsamo antônimo

Pedro é um pacato funcionário público – mesmo que isso pareça uma redundância – que vive monótona-rotineiramente um dia de repetição e cartas marcadas – e há novidades diárias na vida de um funcionário público? Continuar lendo “Bálsamo antônimo”

Amarelo intermitente

Amarelo. Odiosa cor amarela. Amarelo quimérico. Áureo alucinante. Espectro lascivo. Cor etérea e fugaz. Amarelo efêmero, devaneador, divagador. Cor horas evasiva, horas invasiva. Maracujálico opressivo. Jugo asfixiante. Odeio o amarelo. Continuar lendo “Amarelo intermitente”

Pá de cal

O local é sombrio, frio, sem cores e cortado por um silêncio que ecoa de forma retumbante. Já não penso mais em nada. Cansei de pensar, cansei de entender, cansei de ser o que sou e tentar ser o que eu queria ser. Já não me escutam mais, já não me leem mais, já não dão bola para o que eu penso, para a análise que faço das coisas. Resumindo: fiquei obsoleto, sou o resto de um pedaço quebrado que um dia teve uma função. Eu mesmo não espero mais nada de mim. Mas ainda estou aqui. Estou aqui para lamentar o fim. Estou aqui para imaginar como poderia ter sido e para lamentar como está prestes a terminar. Continuar lendo “Pá de cal”

Figura pitoresca

Eu nunca fui de acreditar nessas bobagens, mas pensei que, em um momento como o que estou passando, qualquer palavra poderia me ajudar a encontrar uma ideia de como prosseguir. Dei uma risada desconfiada soltando o ar pelo nariz. Estou parado em frente à porta e antes de entrar fiquei ansioso? Que coisa sem sentido. Se não acredito nisso, não tem nem porque criar qualquer tipo de expectativa. Dou o primeiro passo, coloco a mão direita na maçaneta, giro-a, abro a porta e entro. Continuar lendo “Figura pitoresca”

Ressuscitem o moribundo simplismo

O senhor Silva apoiava um lado. Odiava os comunistas, odiava a União Soviética. Torcia para que a democracia que os americanos levavam ao mundo esmagasse os ‘vermelhos’, como ele se referia aos herdeiros de Stálin. O mundo era muito claro. O bem era capitalista e guiado pelos americanos. O mal era comunista e guiado pelos soviéticos. O inimigo era sórdido. Para Silva, era mais do que óbvio quem eram os vilões do mundo. A frieza, maldade e vilania dos soviéticos eram o maior câncer que já se abatera sobre a Terra. Continuar lendo “Ressuscitem o moribundo simplismo”

O melhor é não lembrar que não se lembra?

Não há nada que me faça sentir mais em paz que olhar pela janela. O longo gramado verde parece um tapete aconchegante que convida a um confortável passeio com os pés descalços. A pele da sola do pé a tocar a grama é como uma injeção revigorante da mãe-natureza. Pequenos arbustos que povoam o jardim parecem algodões doces. Minha vontade é me jogar neles como se fossem nuvens e rolar pelo chão como se aquelas espessas e fofas nuvens mais alvas que o mais branco estivessem a me abraçar. Há algumas árvores, em quantidade menor que os arbustos. Todas fortes, robustas, com grandes galhos, que mostram toda sua força ao se estender e se esticar como se fossem garotos nas pontas dos pés tentando alcançar a fruta mais deliciosa do pomar. Nessas árvores os passarinhos cantam como se a felicidade suprema estivesse reinando dentro deles. O gorjeio das aves é como uma serenata de gratidão à vida revigorada que o jardim lhes dá. Continuar lendo “O melhor é não lembrar que não se lembra?”

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