Não há nada que me faça sentir mais em paz que olhar pela janela. O longo gramado verde parece um tapete aconchegante que convida a um confortável passeio com os pés descalços. A pele da sola do pé a tocar a grama é como uma injeção revigorante da mãe-natureza. Pequenos arbustos que povoam o jardim parecem algodões doces. Minha vontade é me jogar neles como se fossem nuvens e rolar pelo chão como se aquelas espessas e fofas nuvens mais alvas que o mais branco estivessem a me abraçar. Há algumas árvores, em quantidade menor que os arbustos. Todas fortes, robustas, com grandes galhos, que mostram toda sua força ao se estender e se esticar como se fossem garotos nas pontas dos pés tentando alcançar a fruta mais deliciosa do pomar. Nessas árvores os passarinhos cantam como se a felicidade suprema estivesse reinando dentro deles. O gorjeio das aves é como uma serenata de gratidão à vida revigorada que o jardim lhes dá. Continuar lendo “O melhor é não lembrar que não se lembra?”