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Organização

Ao colocar os pés no Japão, a extrema limpeza das ruas chamou minha atenção. Era outono e nas calçadas se via apenas algumas folhas de árvores. Lá já não é permitido fumar nem na rua. Um paraíso para quem odeia a fumaça incômoda dos cigarros. Em quatro semanas, não vi ninguém fumando na rua. Diferente do Brasil, se há uma lei, o japonês respeita.

Em um fim de semana, duas quadras de uma avenida na cidade onde eu estava foram fechadas para a realização de apresentações musicais e uma feira gastronômica. Aproveitei para comer um pouco de comida Ocidental. Ao terminar, olhei ao redor e não encontrei nenhuma lixeira. Então lembrei que desde o atentado com gás no metrô de Tóquio, em 1995 , o governo japonês aboliu os cestos de lixo nas ruas. Coloquei em prática a minha técnica de observar os japoneses para descobrir como eles fazem. A resposta é muito simples. Devolve-se o que sobrou na barraca onde a comida foi comprada. O próprio feirante é responsável em dar o destino final para o lixo.

Uma palavra que cansei de ouvir foi o “sumimasen” – usado como um “me desculpe” e algumas vezes como um “com licença”. Para tudo o japonês se desculpa. Eles odeiam incomodar o próximo. Um pensamento ao inverso do comum no Brasil. Onde o indivíduo acha que as suas vontades se sobrepõem a todos os outros.

Um costume que deveríamos adotar aqui no Brasil é o que eu chamei de “a mágica da escada-rolante”. No shopping, no aeroporto, na estação de trem, em qualquer lugar a pessoa que fica parada no degrau da escada-rolante deixa a esquerda livre para quem está com pressa passar. Em todos os lugares nos quais estive foi assim.

Por fim, a famosa frase do transporte coletivo de Curitiba “ao embarcar nos ônibus aguarde sempre o desembarque” não precisa ser dita no Japão. Ninguém põe o pé no ônibus, metrô ou trem até que todos tenham desembarcado. E, acredite, faz com que o embarque e desembarque sejam muito mais rápido do que por aqui, onde os passageiros que estão desembarcando se digladiam com os que querem embarcar.

Comentário: O que também não é comum no Japão é ver pessoas comendo algo enquanto andam na rua ou dentro do transporte coletivo. Aliás, os banheiros nos quais entrei eram um perfeito exemplo de limpeza. Ousaria, até, participar de um piquenique no chão de um deles.

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