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Caipirinha

Há momentos em que todo brasileiro é um legítimo brasileiro. Passei por um momento assim ao ir a um bar em Kyoto. Era noite de sexta-feira. E nada melhor para socializar do que comer alguns petiscos e tomar uma bebida.

Um amigo japonês me levou para o bairro boêmio de Kyoto. Várias e várias ruelas com bares de todos os tipos. Alguns predinhos com poucos andares, nos quais cada porta é um bar. Entramos em um desses predinhos e subimos até o terceiro andar. O bar parecia uma caverna. Atrás do balcão, dois amigos nepaleses comandavam o negócio. O mais velho extremamente simpático, já o mais não tão falante.

Na parede, várias prateleiras cheias de todos os tipos de garrafas do mundo, inclusive a famosa Pirassununga 51. Uma russa que sentou ao meu lado sugeriu uma vodca de primeira. Experimentei, gostei e sugeri a ela uma cachaça. Ela gostou, mas disse que era um pouco fraca comparada a algumas vodcas russas.

Lá pelas tantas, o dono do lugar colocou a garrafa de 51 na minha frente e disse que eu ganharia uma bebida de graça se o ensinasse a fazer a tradicional caipirinha. Falei para começar com um copo médio e um pouco de açúcar. Ele pegou uma bisnaga com um líquido marrom. Perguntei o que era aquilo. Era açúcar em calda. Ele não tinha açúcar refinado, nem nada parecido. Falei então para colocar um limão cortado. Ele colocou uma rodela e disse que era suficiente, pois o limão verde estava muito caro. Falei que precisava esmagar o limão com o açúcar. Após muito pensar ele começou a esmagar o limão com um hashi – aqueles pauzinhos que os japoneses usam para comer.

Ele colocou gelo na coqueteleira e, como um bom barman, o líquido foi sacudido como nunca e colocado em um novo copo. Confesso que para os padrões brasileiros a caipirinha estava uma porcaria, mas para o outro lado do mundo até que estava aceitável. Os nepaleses, a russa e meu amigo japonês gostaram.

Comentário: Neste bar, experimentei uma bebida que os jovens japoneses costumam oferecer para a garota que eles estão afim de pegar. Qual motivo? A bebida tem gosto de chá, não parece alcoólica. Não lembro o nome, mas quando a menina se dá conta já está bêbada e o jovem entra em ação.

Castelo Nijou, construído em 1626, era onde os homens que comandavam o Japão ficavam hospedados quando visitavam Kyoto.
Castelo Nijou, construído em 1626, era onde os homens que comandavam o Japão ficavam hospedados quando visitavam Kyoto.
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