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Ônibus

Durante muitos anos paguei meus pecados diariamente no “falcão prateado”. Nunca andou no ligeirinho Inter 2? Pois desejo que nunca precise. Um dia, com o ônibus sendo “pilotado” por um motorista com complexo de Michael Schumacher, um homem gritou: “Isso aqui não é caminhão de porcos, motorista!”. Por isso, o transporte coletivo no Japão me impressionou tanto.

Não pense que é perfeito. Por várias vezes andei em ônibus lotados, quase não consegui respirar com a mania de fecharem todas as janelas em dias de chuva ou frio e tive que aturar um bêbado sentado ao meu lado. Mas o primeiro detalhe mais impressionante é que todos os pontos tem a tabela de horário de todas as linhas que param ali. E diferente dos ônibus em Curitiba, no Japão os veículos realmente passam pelo ponto no horário determinado. Em quatro semanas no Japão, o ônibus que eu pegava todos os dias nunca passou atrasado no meu ponto de embarque ou de desembarque.

Ao entrar no ônibus uma surpresa. Após fechar a porta uma voz disse “acelerando” e o ônibus arrancou. Procurei o dono daquela voz e percebi que o motorista usa um daqueles microfones que ficam presos na orelha e vem até a boca. Como nos nossos biarticulados, uma gravação anuncia a próxima parada.

Poucos minutos depois mais uma surpresa. O motorista disse “dobrando à esquerda” e o ônibus virou a esquina. A maior surpresa ainda estaria por vir. Em uma das poucas freadas que vi o motorista rapidamente disse: “Desculpem senhores passageiros, fui obrigado a realizar uma frenagem mais brusca”. Nesta hora, lembrei-me do motorista piloto e do caminhão de porcos. Quanta diferença!

Em tempo: você não precisa acenar para o ônibus parar quando está no ponto, pois, desde que você esteja ali, todos os ônibus param.

Comentário: Teve um dia que um senhor idoso entrou no ônibus e ninguém cedeu o lugar. Eu estava sentado no lado da janela e pedi licença à mulher que estava a minha esquerda para levantar. Ela me disse: “Não se preocupe, também vou descer”. Eu tentei explicar que minha intenção era ceder o lugar para o idoso, mas, com o meu conhecimento da língua japonesa, não consegui nem começar a frase. Esperei até o próximo ponto, quando ela levantou.

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