Em 2024, todos chamaram de louco o cientista irlandês Philips O’Brien, quando ele apresentou uma teoria de viagem no tempo. Com as novas naves do Programa Espacial da China, feitas com a liga metálica de duranialímio, descoberto no solo marciano, O’Brien provou que sua teoria era possível. Com o motor experimental de anti-matéria, criado pela República da Coréia, uma nave chinesa poderia ser lançada em direção ao Sol e descrever uma elipse pelo arco de 250 milhões de quilômetros do astro. Ao completar a elipse a nave seria jogada para o passado ao para o futuro.

O’Brien tentava explicar ao mundo a existência das partículas cronotônicas no arco solar e os cálculos para se viajar no tempo. Infelizmente ele não viveu para ver o teste definitivo de sua teoria. Em 2077, a China lançou a Cronus II, com nove tripulantes, entre homens e mulheres, um japonês, três coreanos e cinco chineses. Estações de televisão montadas na Lua transmitiam o evento para todo o planeta Terra. Ao concluir a elipse pelo Sol, uma forte luz foi vista…

“Algo deu errado”, diz a navegadora Akiko Takahashi.

“A Terra está praticamente congelada”, constata o oficial de ciências Yang Rongji.

“O Sol está 47% mais fraco…”,  informa o oficial da astrometria Kim Dong Sung.

“Vamos para a base de pouso em Dayu!”, ordena o capitão Zhu Chunping.

A nave Cronus II pousa na congelada Dayu.

“Capitão, a temperatura lá fora é de 55 graus negativos. Teremos de utilizar as termo-roupas.”, diz o oficial de segurança Hu Jianli.

Os sete astronautas entram na base de Dayu. Logo no salão principal há uma grande placa no idioma internacional:

“Sejam bem-vindos ao futuro, caros astronautas. Vocês são os únicos seres humanos que restaram. Logo após vocês terem saltado para o futuro, as explosões solares começaram a apresentar algumas distorções. Em poucos meses essas explosões se tornaram mais fortes e começaram a interferir nas comunicações na Terra. Descobrimos que o salto da Cronus II para o futuro causou uma desestabilização nas partículas cronotônicas do Sol, o que fez com que o astro começasse a entrar em colapso. Em 120 anos, a Terra ficou congelada. Quando vocês lerem esse placa, 77 anos depois de ela ter sido escrita, pedimos que voltem para o passado e impeçam que a Cronus II seja lançada. Todos os cálculos para o retorno estão abaixo…”

Akiko implementa os novos cálculos e traça a rota da nave. O Capitão Zhu ordena a partida da Cronus II. O planeta congelado é deixado para trás e o fraco astro rei em nada lembra os seus tempos austeros, nos quais banhava a Terra com toda a sua eficiência máxima. A nave descreve a elipse entorno do Sol, dá uma volta completa e nada acontece. Kim Dong exclama:

“Não há mais nada!!”

“Não há o que?”, indaga Shin Hye.

“Não há mais partículas cronotônicas no Sol. Elas foram as responsáveis por ele entrar em extinção… elas se extinguiram também…”, informa o oficial da astrometria.

“O que faremos capitão?”, pergunta Hu.

“Não há mais nada a ser feito… se houve um apocalipse, nós chegamos tarde!”

Todos se entreolham.

“Shin Hye, grave todas as informações do banco de dados da nave e envie para o espaço. Se existir mais alguém lá fora, saberão o que aconteceu à raça humana.” O capitão se dirige para todos os seus tripulantes. “Senhoras e senhores, nós falhamos em nossa missão… a nossa falha não tem volta. Foi o último movimento de uma sinfonia errante que começou com o surgimento do homem. Agora, chegou ao fim. Akiko, traçe uma rota para o centro do combalido Sol… não se preocupem, explodiremos antes de sermos torrados pelo que resta do nosso astro rei.”

A Cronus II vai em direção ao Sol para colocar um ponto final na história da humanidade. Era uma vez o ser humano…

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