Não é à toa que Akira Kurosawa foi, e ainda é, o maior cineasta do Japão e um dos maiores do mundo. A sua genialidade é de um Mozart ou Da Vinci do cinema.

Existem filmes que são feitos para serem vistos uma única vez. Outros, podem ser vistos várias e várias vezes, que sempre reservam algum detalhe novo. Assim é “Ame Agaru” (Depois da Chuva, 1999), uma obra-prima post mortem de Akira Kurosawa. O genial diretor japonês morreu após escrever o roteiro e completar a pré-produção do filme. Seu assistente de longa data, Takashi Koizumi, foi encarregado de dirigir a obra do mestre.

“Ame Agaru” ganhou 17 prêmios no Japão e ao redor do mundo. É o filme de samurais mais sincero já feito. Vai além da honra, do compromisso, da espada… vai até o que os samurais muitas vezes evitam, o coração. E o protagonista do filme só não é um samurai bem-sucedido, porque tem mais coração do que um samurai necessita.

As longas cenas de chuva, do rio cheio e das belas paisagens ensolaradas são dignas de Da Vinci. Os momentos de silêncio, quebrados pelos som da chuva ou dos pássaros, são dignos de Mozart. A alegria sincera do povo na pousada, a mansidão do ronin e a sagacidade do senhor da região transbordam da tela e mostram um Japão que estranhamente não reprime seus sentimentos.

Este é um filme que vale cada minuto. E cada vez que o revejo, cada minuto não é igual ao minuto visto da vez anterior.

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