Para assistir “Concrete” é preciso ter estômago forte e estar acostumado com programas como o finado Cadeia, do falecido Alborghetti, ou os mais sangrentos jornais policialescos do Brasil. O filme não tem violência gratuita, apenas violência necessária para mostrar a sádica maldade da alma humana.

“Concrete”, produção japonesa de 2004, é baseado em uma história real ocorrida em 1988. É o filme errado para quem quer fazer uma avaliação poética da sétima arte. É o filme errado para quem procura excelentes interpretações. É o filme errado para quem procura uma história bem construída e um roteiro bem amarrado. É o filme certo para quem deseja discutir o mal que há dentro de todo ser humano e a passividade da sociedade atual.

Quatro jovens, membros de uma gangue de delinquentes ligada à Yakuza, sequestraram uma adolescente de 16 anos em novembro de 1988. Eles a confinaram, estupraram e espancaram até a morte na região de Saitama, em Tóquio.

Ela foi mantida cativa na casa de um dos integrantes da gangue por 41 dias. A garota ferida implorou por ajuda para os pais de um dos jovens, que viviam na casa, mais de uma vez, mas eles pouco fizeram.

Após morrer, os jovens colocaram o corpo da adolescente em um barril de óleo, o encheram de concreto e o jogaram em um terreno baldio (a Yakuza joga no mar). A polícia japonesa não teve dificuldade em encontrar os monstros e reunir as provas da crueldade para condená-los.


Monstro. O que é monstro? Talvez os chamemos de monstros para pensar que eles são menos humanos e mais algo diabólico, longe de nós. Mas eles são tão humanos quanto qualquer outro ser humano. E como qualquer ser humano, capaz do inimaginável. Isso é o que realmente assusta.

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