Tian An Men <天安门>. No Ocidente esse nome é conhecido como Praça da Paz Celestial, e é marcado pelo protesto ocorrido em 1989. Um assunto proibido no país do meio. Lá, Tian An Men é um marco por ter participado de outro momento histórico. Foi na Praça da Paz Celestial a cerimônia de fundação da República Popular da China, em 1949, com o histórico discurso do líder Mao Zedong.

E é sobre os 28 dias de preparação de Tian An Men para a cerimônia de fundação da nova China que o filme de 2009 trata. Para quem está interessado em uma produção com fidelidade histórica, este não é o filme certo. Tian An Men é uma produção propagandística, cria toda uma mitologia entorno dos 28 dias, comparados aos 28 anos da marcha de Mao pela China continental. Mas o filme se sai bem em incitar o orgulho chinês pelo gigantesco novo império que construíram.

Um acidente leva a um sonho revelador sobre a decoração do grande portão da Praça da Paz Celestial. As brigas entre os trabalhadores, nas quais os protagonistas recitam a cartilha do bom partidário do PCC, não convencem. Até um velhinho fabricante de lanternas chinesas, ex-funcionário do Império, se rende à nova China e se curva perante o discurso de Mao Zedong.


Após assistir esse filme, pensei: “os filmes brasileiros não me incitam um sentimento patriótico”. Alguns brasileiros pensam que patriotismo tem a ver com a Ditadura Militar, por isso louvam o cinema espelho da pobreza, miséria e violência brasileira. Não defendo um cinema brasileiro propagandístico, como o filme que nunca foi (Lula, O Filho do Brasil), mas um cinema que pare de nos tratar como coitados, miseráveis, que nos faz sair mais desanimados do que quando entramos no cinema.

Onde está o bom Brasil? O grande Brasil com seu povo maravilhoso? Segue o trailer de Tian An Men:

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